Vou começar citando uma das frases que eu marquei do livro: “Você vai sofrer
preconceito, mas que esteja arrumado, caso contrário é pior.”

Esse livro é cercado de frases como essas, frases que só dizem o quanto precisam dizer se lidas pelas pessoas certas. É um fato que muitos ao lerem esta obra não irão entendê-la em seu mais profundo senso, isso só será possível para quem topar o desafio de se espelhar no caminho desenhado por Jonas Roldino, ainda que seja em partes específicas dele.

As reviravoltas são satisfatórias, mas confesso que o final me causou profunda tristeza além de raiva. Aliás raiva é só um da avalanche de sentimentos que esse livro me causou, esse é um daqueles livros de terror que tenta se apresentar como um suspense investigativo no início e no fim te entregar quase um slasher. Mas voltando a lista de sentimentos vou citar outros agora: Nojo, Aflição, angustia, medo e ao final ainda me sobrou espaço para sentir um certo fascínio pelo conjunto da obra. Na tentativa de entregar esta resenha sem spoliers, não irei falar aqui dos motivos pelos quais não fiquei feliz com o final do livro. Me contentarei dizendo que ele satisfaz a premissa, e em alguns outros leitores pode causar o efeito de:
“Ah mas ele mereceu isso”. Então não foi em momento algum uma viagem perdida, aprendi coisas novas com esse livro, revi coisas velhas e dores reais que confesso que não queria rever, mas percebi a necessidade da presença delas em cada capítulo.

A dinâmica das cartas foi uma boa ideia para aumentar a sensação de adrenalina no leitor e encorajar leituras rápidas naqueles que sabem digerir carnificina emocional e visceral de forma rápida. Mas se posso fazer uma simples recomendação aos leitores negros que passarem por esta resenha antes de chegar a obra, por favor leiam devagar. Por favor não se deixem levar pela pressa da descoberta e da resolução, existem pedaços dessa obra que podem te levar a soluçar, e deixar um amargo no estômago que só pessoas como nós somos capazes de sentir. E essa é uma das belezas que existe em ler um livro escrito por um de nós, ser tocado em medidas que outros jamais serão.

Volto a frase de início desta resenha para dizer que pode ser em breve eu acabe querendo escrever sobre outras marcações. Mas por enquanto digo que foi naquela frase que a angústia nasceu e começou a ganhar forças nas paredes do meu coração, e eu fui angustiada até o fim do livro. Digo sem medo de errar, mesmo sabendo previamente eu torci pela morte deste protagonista, e por algum desvio do destino, graças as mãos de Caio Lima, existe beleza nessa torcida.

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