Olá, essa é transcrição do nosso episódio dessa semana, onde falamos sobre representação PCD no universo literário, portanto o conteúdo do texo abaixo foi preparado para que pessoas surdas, consigam ler sobre o que foi dito durante a gravação deste episódio e também se sintam inclusas no público do nosso podcast. Obrigada pela audiência e pela atenção.

Monólogo:  

Boa noite, boa tarde, bom dia. Seja lá a hora que você estiver ouvindo isso, está começando mais um episódio do Entre Sumários Cast.  E hoje nós recebemos mais um time de convidadas, para falar sobre representação pcd no universo literário. Agora roda a vinheta!

Vinheta de abertura dos episódios: (Música de fundo) Primeira fala: “Ouvintes nós tivemos um pequeno probleminha técnico, é que uma de nossas apresentadoras não sabe falar bem de livros.” / “Eu queria muito ser amiga dessa autora”/ E não que eu ache ruim, inclusive tenho amigos que são.”/ “Sim, paciência , não gostou me bota no paredão./ “E quando eu falo de uma narrativa diversa, é justamente no sentido de que contando histórias reais.”
Vinheta do site O PodcastEDelas: (Barulho de sirene) Esse podcast faz parte da iniciativa
O Podcast É Delas, saiba mais em opodcastedelas.com.br (música).

Apresentadora Ray: Pessoal seja bem vindes, novamente a mais um episódio dessa temporada e como acontece todas vez que nós recebemos um time de pessoas diferentes nesse programa que nunca estiveram aqui antes, nós passamos o primeiro bloco inteiro nos apresentando, para os novos ouvintes que vão chegar até nós através deles.
Eu sou a Rayane, mais conhecida por aqui como Ray, sou estudante de Direito, moro no Rio de janeiro, tenho 24 anos e apresento, edito, dirijo e roteirizo esse podcast há dois anos. E agora eu passo a palavra pra minha companheira de bancada de hoje, A Anny.

Apresentadora Anny: Então né gente, boa noite em primeiro lugar, ou bom dia, boa tarde depende do horário que você está ouvindo. Mas eu sou a Anny né, também host desse podcast desde o ano passado, sou recém-formada em Letras não sei ainda o que vou fazer da minha vida, mas sou recém formada. Sou de SP e tenho 22 anos. Também escrevo, em alguns momentos da minha vida eu faço algumas resenhas e estou tentando entrar no ramo da revisão, então se alguém quiser me contratar, faço um precinho bacana. É isso gente, vida não tá facil pra ninguém.

Apresentadora Nara: Olá pessoal, meu nome é Nara Souza, tenho 21 anos, escrevo há 10 anos no wattpad, moro em salvador e tenho paralisia cerebral. 
Apresentadora Ray: Pode mandar ver Thais.

Apresentadora Thais: Olá pessoal! Agradeço desde já o convite, pra estar aqui participando com vocês. Espero que quem está nos ouvindo esteja bem, nessa pandemia caótica. Eu me chamo Thais Pessanha, tenho 39 anos, sou de Macaé, no interior do RJ, Tenho uma doença rara chamada Osteogênese Imperfeita, popularmente conhecida como a doença dos Ossos de Vidro, ou osos de cristal — Eu prefiro falar osos de cristal, porque pelo menos a gente fica chique, né. Também sou autora do livro “Sobre Rodas – Um espírito em movimento” que concorreu agora na última edição ao Prêmio Kindle de Literatura e está entre os TOP 10 do Clube de Autores.Né que é uma grande felicidade que a gente tem. E também participo né, sou responsável, pelo canal no youtube chamado Ossos de Pássaro onde a gente discute a representatividade da pessoa com deficiência na literatura através da análise de obras literárias clássicas e contemporâneas. Então a gente faz toda uma caminhada aí, desde os séculos XVIII e XVII, e a gente vem mostrando como a representatividade era na obras clássicas e como isso está acontecendo hoje em dia. Será que isso mudou? Então acompanha a gente lá que você vai saber. No mais esse nosso canal do youtube, depois que os vídeos são lançados, o aúdio é transportado para que pessoas também possam ouvir no formato de um podcast, seja no spotify ou no google podcasts. E mais uma vez obrigada pelo convite, tenho certeza de que vai ser um ótimo papo.

Apresentadora Ray: Ok, Nara e Thais obrigada pela presença! Ouvintes eu preciso avisar que devido a limite de tempo de duração dos nossos programas oficiais, que é de aproximadamente 60 minutos, infelizmente nós não tivemos como incluir todas as pessoas que gostaríamos de incluir nesse episódio. Em razão disso  nós faremos em breve uma parte dois desse episódio para que nós consigamos incluir também nesse assunto a visão de pessoas neuro divergentes e pessoas com deficiência visual, que estão trabalhando nesse momento dentro da literatura brasileira. Então já fica aqui o convite para que a audiência retorne daqui a algumas semanas para ouvi-lo, e pra que vocês já deixem recomendações sobre quem vocês querem ouvir, comentando nas nossas redes sociais. No twitter: @castsumarios, e no instagram: @castsumarios.

Apresentadora Anny: Até porque é muito importante que vocês cheguem aqui e compartilhem com a gente essas coisas, já que pra quem não sabe a própia Thais foi recomendada pelos seguidores do nosso instagram. e foi uma ótima surpresa né, até porque como a gente não está tão próximo quanto a gente gostaria da comunidade , é sempre bom que a gente tenha essas indicações pra que elas sejam vozes aqui no podcast também.

Vinheta de transição completa: (Barulho de páginas de um livro passando rápidamente).

Apresentadora Ray: Bom a proposta de hoje é que essa roda se torne um espaço de aprendizado e de escuta entre nós e as autoras convidadas, a conversa vai ser longa como são todos os episódios sérios e cheio de gente que nós fazemos por aqui, mas vem com a gente que vai valer a pena. 

Pra começar eu queria ouvir de vocês sobre como foi até agora a jornada de vocês duas com a literatura como forma de arte, como o mercado recebe vocês e o que vocês estão escrevendo.
Apresentadora Nara: Infelizmente, vou começar dizendo que falta visibilidade para as autoras PCD, as vezes eu sinto que tentam nos excluir ou fingir que não existimos. Não se vê na mídia  com facilidade, autores PCd viralizando com suas obras ou fazendo grandes lançamentos e nas raras vezes em que isso acontece, a matéria os resume como exemplos de superação oou à sua condição física, sem valorizar seu trabalho. Eu não senti muito esse impacto pessoalmente, porque ainda estou em processo de produção de uma fantasia e um conto com protagonismo PCd.

Apresentadora Ray: Pode começar Thais.

Apresentadora Thais: O meu começo no mundo da escrita foi muito nova , eu acho que desde sempre. Eu era louca pra ser afalbetizada, isso eu me lembro bem. Então eu acho que depois disso eu nunca mais parei. Meu primeiro prêmio literário foi em 1996 ganhando um concurso de poesia, ainda infanto juvenil, tinha uns quinze anos quando eu ganhei o concurso, e daí pra frente eu continuei escrevendo mas apenas ano passado resolvi me assumir como autora né, enquanto escritora eu já sou a vida inteira, mas como autora eu só me assumi no ano passado e fui lançar o meu primeiro livro, meu primeiro romance de ficção que é o”Sobre rodas”. Porém ele não foi o meu primeiro livro escrito, pra você ver como é doido esse mercado, nem sempre o primeiro livro que a gente escreve, é o primeiro livro que a gente que de fato vai publicar, esse outro vai sair algum dia quando Deus quiser.

Agora, quanto a receptatividade no mercado literário, eu tenho que dizer que realmente é bastante complicado, é um mercado muito fechado, onde a gente conversa com acessorias de imprensa pra divulgar os nossos livros, e a gente sempre ouve do outro lado, dizendo que são temáticas muito importantes, que é muito legal que a gente tenha essa representatividade, porém não temos pauta no momento.

É sempre essa barreira que a gente ouve , e o meu movimento de ir oficialmente para o mercado literário foi justamente em virtude do incômodo de crescer sem ter referências de pessoas com deficiências nos livros. Eu tenho 39 anos, eu sou uma leitora assídua fanática, desas que tem que entrar em uma livraria e deixar a minha carteira com alguém do lado de fora (risadas de fundo) que é pra eu não comprar nada. Já virei meme na família, de fazer promessa e tudo. “Você prometeu que nunca ia mais comprar livro nenhum até ler esses aqui.” E o kindle só chegou pra piorar isso tudo, porque agora a gente compra e ninguém vê.
Então o impulso de eu me assumir realemte como autora é que eu lia, eu lia muito e eu nunca via nenhum personagem que era uma pessoa com deficiência, tipo eu não to falando a minha não. Porque eu sei que a minha é rara, mas eu não via nenhum. Essa provocação fez com que eu resolvesse dar o meu primeiro passo, tipo se eu acho que não tá bom, e se eu não quero que as próximas gerações passem por esse mesmo tipo de incômodo, então eu tenho que ir lá e fazer minha parte, e o trabalho social do livro, porque eu considero esse livro um trabalho social né, porque ta ali mostrando como é a vida de uma pessoa com defiência, mostrando que não todo esse heroísmo que algumas pessoas pensam, mas que também não é grotesca e horrivel como outras pessoas pensam.

E tudo isso é unido ao meu trabalho no canal, porque no canal a gente faz uma continuação desse trabalho social, e aí eu vou dar um spolier pra vocês, vocês sabiam que a primeira inspiração pro livro “A Bela e a Fera” foi um homem com deficiência? Então ninguém sabe disso, foi um livro escrito em 1640 por uma mulher e ela se inspirou em uma história verídica de duzentos anos antes, sobre um homem com defiência pra fazer esse romance. Mas isso se vocês quiserem saber mais, vocês vão ter que se inscrever lá no meu canal.
Apresentadora Ray: As histórias clássicas que eu sabia que os personagens eram pessoas com deficiência, eram o “Fantasma da Ópera”, e “O Corcunda de Notre dame”.
Apresentadora Thais: É o Quasimodo é um classico né, e quando a gente vai falar dele a gente fala também de Alejadinho do Brasil, e do porquê existe essa imagem dele, então o canal vai trazer um estudo sobre isso também. Tem muita coisa boa e diferente que vai ser apresentada lá no canal também, é só vocês se inscreverem e aguardarem.

Apresentadora Ray: Outro exemplo de obra clássica em que eu posso pensar quando falamos de personagens com deficiência é o livro Úrsula da escritora Maria Firmina dos Reis, onde a personagem Luisa B. ela é a mãe da protagonista, e ela sofre de uma paralisia que faz ela passar o livro inteiro acamada. É um livro muito triste, acontecem coisas horrorosas de tristes nesse livro, eu não recomendo ta?(ironia) A não ser que vocês queiram chorar não leiam. Enfim esse é um daqueles livros que pessoas como eu que lutam por um futuro mercado editorial antirracista, ficamos na dúvida sobre recomendar ou não, porquê a Luisa é uma mulher idosa e ela é tratada como um fardo o livro todo, então eu faço até um aviso. Se vocês forem ler Úrsula, leiam sabendo que existe esse problema lá, e lembrem-se que é um livro do século dezenove ok?

Apresentadora Thais: Uma das coisas que a gente sempre aborda no canal, é a que literatura é o retrato de um povo ao seu tempo, então não adianta você ler O corcunda de Notre dame, e achar um absurdo a forma como o Quasimodo foi retratado ali, com olhar em 2022 sem considerar quem foi o escritor e quando ele foi escrito. Como era vida naquela época, e etc. Então o livro não retrata só um povo dentro de uma época, mas também a percepção de um autor sobre essa sociedade, então esses tipos de consideração não podem ser descartados, porque a gente faz um grande estudo social quando a gente lê um clássico, logo o contexto deve ser sempre levado em conta.
Apresentadora Anny: Uma coisa que eu posso relatar sobre essa mudança de pensamento é o que aconteceu com o livro “Dom Casmurro” de Machado de Assis, que é um romance que possui dentro do livro um narrador questionável na figura do Bentinho, e graças a isso boa parte dos leitores viam a personagem Capitu como um traidora. O que não acontece hoje em dia entre os leitores, e prova que um estudo da obra mais apurado com olhos de hoje muda por completo a visão das atitudes desse e de outros personagens.
E eu queria fazer outra pergunta pra você Thais, como foi pra você participar do prêmio Kindle?
Apresentadora Thais: A gente recebe alguns anuncios pela ferramenta de leitura (Kindle),

e entre eles eu vi o anuncio do concurso, achei insteressante a iniciativa e resolvi enviar o meu livro para concorrer. Eu fiz o meu livro por meio de publicação independente, já que não vi vantagens nas ofertas que me foram oferecidas por algumas editoras, então eu acho esse modo de publicação não tradicional muito bom, porque qualquer um quiser começar pode fazê-lo por um preço bem em conta, temos uma revisora no programa então contratem porque ter revisão é importante. Caprichem na capa, façam o registro da sua obra lá na biblitoeca nacional e publiquem seus livros nas plataformas que vocês quiserem, esse mercado tem passado por várias dificuldades mas ainda vale a pena que vocês se esforcem, para que no futuros vocês sejam lidos e reconhecidos

Apresentadora Ray:  Outra coisa que eu queria perguntar é em quais gêneros vocês sentem mais falta de se verem sendo representadas. Assim fazendo analogia com outra minoria, eu no inicio da minha vida enquanto leitora não encontra livros de romance jovem adultos com protagonistas negras em posição de protagonista, e nem como objetivos romanticos fossem em casos de casais interraciais ou não, vocês também percebem essa ausência em relação a livros românticos? E quais são os outros gêneros onde vocês querem se ver?

Apresentadora Nara: esses dias, eu chorei de desespero porque não conseguia encontrar um romance clichê/ comédia romântica ( o gênero que eu mais leio e escrevo) com protagonismo PCd, tbm sinto falta de ver mulheres PCd em fantasias enfeitiçando grão-senhores de caráter duvidoso, sendo uma stalker em algum suspense. Na verdade, eu sinto falta num geral, de histórias que não resumam o personagem à sua condição física.

Apresentadora Thais: Bom, eu acredito que em todos os gêneros literários. Fazendo exceções a esses casos que a gente conversou onde os personagens com deficiência eram tratados como monstros, ou como algo grotesco que dava medo nas obras clássicas, e a gente pula pro século vinte, onde esses personagens passam a ser tratados como super heróis, e o maior exemplo disso foram os X-MAN, da Marvel. Então a gente tem essa representatividade distorcida, então esse não é o caminho que queremos, e em romances clichês essa falta é ainda mais escancarada, e é sempre um homem com deficiência e uma mulher não, porque isso é um tabu pra sociedade. No meu caso, considerando minha doença rara é até difícil achar em literatura técnica de medicina. Deve ser por isso que eu gosto de me desafiar como autora por todos os gêneros: poesia, romance, contos. E ainda existe muito do clichê do PcD ser retratado ou como figura que dá medo ou como um super-herói, exemplo de superação.

Apresentadora Anny: Eu até comentei com as meninas que fazem o podcast com a gente, sobre quando eu tava lendo “A conquista do deserto” que é um romance de banca, e assim é um gênero que eu gosto, e a mocinha e protagonista é uma pcd, mas como ela usa roupas típicas de um povo árabe, não é possível ver a prótese que ela usa no lugar de uma das pernas dela. E o mocinho só vai descobrir sobre isso na primeira vez deles, ela fica meio insegura, e dentro do livro isso é tratado pela autora de uma forma super calma, e ele acaba não vendo problema nenhum. E eu achei impressionante a autora ter tido o cuidado de inserir e explicar essa representação mesmo não estando dentro da sinopse. E a gente pode fazer um paralelo com um dos livros da Nana Pavoulih que possui um protagonista cadeirante, e ele é tratado como esse exemplo de superação dramática e etc. Enquanto em um romance de época vendido por um preço baixo como esse que eu encontrei é algo completamente diferente, e a mocinha do livro é uma personagem cheia de camadas e o fato de ela ser pcd não é o que comanda a história.

Vinheta de transição completa: (Barulho de páginas de um livro passando rápidamente).

Apresentadora Ray: Uma coisa que virou tradição nesse podcast, é que toda vez que a gente vem falar de um assunto sério, com convidades diferentes é a nossa pesquisa de bolha onde nós fazemos uma série de enquetes questionando, a nossa bolha que é o “booktwitter” sobre alguns pontos do assunto a ser tratado, então os resultados foram:

Nós perguntamos pra eles — Quantos livros escritos por autores PCD’s você já leu? E os que leram apenas um foram:11,1% / Mais de um: 38,9%/ E os que leram Nenhum foi de 50%, Então comentários por favor sobre esses números: Eu acredito que a maioria te respondido nenhum se deve ao grande problema da parte das editoras de não divulgarem esse fato sobre esses autores, e tambem sobre o problema de varios leitores não saberem quem é que eles estão lendo, que é uma questão que eu venho repetindo aqui mas parece que tem uma galera que ainda não entendeu a importancia real disso.

Apresentadora Nara: Bom, esses numeros não nos surpreendem, mas realmente é um cenario muito triste e eu espero que um dia a gente consiga mudar isso, porque é necessário que se dê mais visibilidade pra autores pcds, que escrevem protagonistas pcds. Porque isso também é dar voz e representatividade a pessoas reais que geralmente não se encontram nesse espaço. E se eu posso indicar algumas leituras, eu indico “O extraordinário” e Sinestesia da autora Grabriele Caldas, e também o meu conto O futuro de Elisa.

Apresentadora Thais: Eu vou te falar que eu estou surpreendida, e de uma forma até positiva porque eu pensava que na opção “Nenhum” a porcentagem iria ser entre 80 e 90%, mas eu tabém espero que ninguém no momento de responder essa pergunta tenha se confundido e respondido com bases em personagens que eles leram, ao invés de responder sobre os autores que eles estão lendo.
Apresentadora Ray: Eu fiz até uma questão especificamente sobre personagnes e os resultados foram: Quantos livros com protagonismo PCD você já leu? Apenas um: 25,6% / Mais de um 46,2%/ e Nenhum livro: 28,2%. Então a resposta foi quase dentro da margem de erro da primeira pergunta, porque ficou bem obvio que aqui se trata do carro chefe do livro.
Apresentadora Thais:
Exatamente, eles viram que dentro dessa categoria é dificil de encontrar um personagem com deficiência, então é pros números cairem mesmo, infelizmente.

Apresentadora Ray: Quantos livros você já leu que possuíam um ou mais personagens PCD’S com alguma importância na trama? Apenas um: 27% / Mais de um livro: 59,5%/ Nenhum livro: 13,5%. Seguindo a mesma ideia, mas tentando focar em secundários também dessa vez. E a última pergunta da série de Enquetes foi a seguinte: Quantos escritores PCD’s você lê e acompanha? E eu joguei essa pergunta aqui pra conseguir pescar quem realmente interaje com esses autores, e compra o que eles escrevem. Ao invés de apenas usá-los como tokens dentro de uma falsa militância. E as respostas foram: Apenas um: 19,4% / Mais de um: 35,5% Nenhum: 45,2 %. Então digam os comentários de vocês sobre essa última parte da pesquisa como um todo, e depois eu volto pra encerrar.

Apresentadora Thais: Esses numeros ai que você citou que você citou nas perguntas sobre personagens, eu levo muito a crer que se você perguntasse quais fora esses livros, boa parte deles estariam entre os declarados “best-sellers” graças a suas adaptações cinematográficas nos ultimos anos, filmes como “A cinco passos de você” que são livros que foram escritos por autores sem deficiências. Mas também são livros estereotipados de certo modo, e com interpretações falhas.
Apresentadora Anny: E você acha que o fato de essas interpretações serem ruins se deve ao fato de que os atores contratados são pessoas sem deficiência?

Apresentadora Thais: Sim, mas eu sempre acho que os livros são melhores que os filmes, porque os filmes por terem uma limitação de tempo e serem modoficados de uma forma que seja não desconfortavel para pessoas sem deficiência, e isso é claro acaba não codizendo com a nossa realidade as vezes, por exemplo dentro do conhecido filme “Extraordinário” o filme retrata o bullying e as dificuldades que a mãe do menino sofre de uma forma leve, e a sitaução é muito mais séria e pesada do que ela parece ali. Mas eu entendo as motivações e de um jeito ou de outro os livros sempre acabarão sendo melhores que os filmes.

Apresentadora Ray: Então é isso nós temos um grande caminho a percorrer, nós autores que somos pessoas sem deficiência temos uma grande responsabilidade dentro disso também porque nós devemos cada vez mais contratar pessoas que façam a leitura sensivel de nossas, e também precisamos ler e escutar cada vez mais os nossos colegas autores que são pessoas com deficiência, que é pra gente não fazer besteira na hora de escrever os nossos próprios livros. Né Anny?

Apresentadora Anny: Com certeza, leitura critica sempre, e leitura sensivel mais ainda, nunca esqueçam disso.
Apresentadora Ray: Então é isso eu vejo vocês na próxima, obrigada pela audiência no episódio de hoje e até lá!


Vinheta do site O PodcastEDelas: (Barulho de alarme, três vezes) Você ouviu um programa que faz parte da rede “O Podcast É Delas” uma inciativa que oferece toda a estrutura necessária para que mulheres possam gravar e disponibilizar seus podcasts, para participar entre contato conosco pelo site opodcastedelas.com.br (música).

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